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Protesto com mais de 100 cruzes na frente do Hospital da Criança cobra respostas sobre mortes em UTIs pediátricas

Um protesto marcado pela dor e pela cobrança por justiça reuniu familiares de pacientes, conselheiros tutelares e representantes da sociedade civil em frente ao Hospital da Criança, em São Luís. Na manhã desta quinta-feira, mais de cem cruzes foram fincadas na entrada da unidade de saúde para simbolizar as vidas perdidas e exigir respostas rápidas sobre o aumento alarmante de óbitos nas Unidades de Terapia Intensiva pediátricas. A manifestação, organizada pela União dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Maranhão, buscou dar visibilidade às famílias e pressionar os órgãos públicos a acelerarem as investigações em andamento.

O ato público reflete a gravidade dos números apresentados ao Ministério Público do Maranhão, que revelam a ocorrência de 113 mortes no hospital ao longo de 2025. Desse total, a grande maioria — 101 óbitos — foi registrada justamente nas três UTIs pediátricas da instituição. Esse cenário representa um acréscimo de 62 mortes em comparação com o ano anterior, um salto estatístico que motivou a abertura de procedimentos investigativos por uma força-tarefa que envolve o Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública, a Polícia Civil e técnicos especializados do Ministério da Saúde.


O foco principal das apurações recai sobre uma mudança administrativa realizada em outubro de 2025, período em que a Prefeitura de São Luís contratou o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos para gerenciar os leitos de UTI. Os investigadores buscam esclarecer se a transição de gestão resultou na redução de recursos essenciais para o custeio das unidades e se houve o descumprimento de cláusulas contratuais relativas ao número mínimo de profissionais de saúde em plantão para atender os pacientes graves.

Em sua defesa, o instituto gestor nega a existência de qualquer irregularidade e assegura que o atendimento nas UTIs pediátricas é plenamente garantido por uma equipe de mais de vinte médicos. Por outro lado, a Prefeitura de São Luís ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as cobranças e o protesto até o momento da divulgação dessas informações. Enquanto as apurações técnicas prosseguem nos bastidores jurídicos, o clamor das famílias por esclarecimentos e responsabilização permanece como o ponto central da mobilização popular na capital maranhense.

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